Há duas vias para consultar os deuses e o destino: uma consiste em desencriptar as mensagens enigmáticas que intermediários recolhem junto dos deuses (a via intuitiva referida por Platão), a outra em interpretar sinais provenientes do meio (a via indutiva). Mau grado o insucesso de Nícias (a luz selenita pode ser muito ilusória, já dizia o poeta das rimas leoninas), nem sempre crer nos oráculos significa renunciar a toda a racionalidade (a via dedutiva), apenas a alguma. A necessária para compreender que os deuses (cuja existência, tal como a do destino, não se questiona) não serão tão todo-poderosos quanto se possa, de ânimo leve, crer pelo que terá de se fazer confiança nos adivinhos ou nas pitonisas convertidos em eficazes pombos-correio ao serviço da divulgação de intenções e desígnios divinos. Ou ler muito Peirce (para a praia sugere-se, pragmaticamente, a via Sherlock Holmes ou Cahiers Science & Vie mas não se recomenda Eco ou EPC) até aprender o bastante sobre abdução.