julho 28, 2006

"Eu gosto é do Verão" (*)

(silly season quiz)

A bem dizer e à distância, há a tentação de desculpar Platão por estar de atestado (o artigo 102 não se aplicava) aquando da morte de Sócrates. Mas também a de sentir uma levíssima irritação (de reconhecimento) pela precisão cirúrgica com que Hegel afirma, a propósito do Fédon do ausente, que mitifica onde não pode raciocinar. Posto isto, quem, sim quem?, se atreverá a considerar aporias (entre todas as que por lá andam, um pouco menos que gente a esta hora nas praias, felizmente) questões simples e refrescantes como estas, encontradas na notícia histórico-filosófica a uma edição Atlântida de 1947:

- A alma é simples, como implica a sua incorruptibilidade, ou multifária, como parece exigir a variedade das suas funções?

- Sendo preexistente ao corpo, a sua preexistência é sempiterna, isto é, sem princípio nem fim, ou eviterna, isto é, com princípio mas sem fim?

- Se é eviterna, como pode ter em si própria, por determinação intrínseca, a razão da sua imortalidade?

- Se é sempiterna, como pode coexistir com os corpos que se dão no devir, isto é, na realidade transitiva da geração e da morte?

[Patrocinado por uma bebida qualquer.]

(*) "Eu gosto é do Verão", Fúria do açúcar

Publicado por m. em julho 28, 2006 12:30 PM
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