julho 24, 2006

Como quem empresta kleenex e receita aprazolan

(a propósito de choros e insónias doutros e em alternativa à fatuidade da arrogância de quem se afoga nas certezas)

"Viver uma vida feliz, irmão Gálion, todas as pessoas o desejam, mas quando se trata de compreender em que consiste a vida feliz, tudo se toma menos claro; por isso, não é fácil conseguir ter uma vida feliz e, se nos enganamos no caminho, quanto mais nos apressamos em obtê-la, mais dela nos afastamos: quando se segue o caminho contrário, a velocidade só aumenta a distância. [...] De facto quanto errarmos por aqui e por ali sem outro guia para além dos gritos e dos clamores discordantes entre si, que nos indicam diferentes direcções, desperdiçaremos a nossa vida, que os erros tomam ainda mais breve, mesmo que trabalhemos dia e noite com a melhor das intenções. [...] O melhor é não seguirmos como ovelhas os rebanhos daqueles que nos antecederam, dirigindo-nos não para onde devemos ir, mas para onde todos vão. De facto, não há nada pior do que seguirmos os rumores, julgando que as melhores ideias são aquelas que são aceites pela maior parte das pessoas, tomando como exemplo a maioria e vivendo não de acordo com a razão, mas por imitação."

Excertos de "Da vida feliz" (I.1, I.2 e I.3), Lúcio Aneu Séneca (selecção pessoal a partir de uma versão francesa de 1957 e de uma tradução portuguesa de 2006 na Ésquilo)

Publicado por m. em julho 24, 2006 10:30 AM
Comentários