Dum lado estão os que sofrem por desnecessidade
Do outro estão os que não sofrem por distracção
Começam os primeiros apostando na antecipação
Reagem os segundos sacudindo na displicência
O primeiro choque dá-se quando os olhares se desencantam
O segundo, já em queda, quando se voltam a encantar
O jogo interrompe-se ao som dum ai Jesus
Reata-se com a corneta a tocar um Deus me livre
Enquanto uns ajeitam a franja da barreira
Os outros treinam o estalar da folha seca
Nas pausas os primeiros baixam a cabeça meio dormente
Mas os outros lambem o suor morno do pescoço
Nos festejos, enquanto uns se sentem filhos dum deus menor
Também sobressaem os que guardaram religiosamente o pavio da vela acesa
Não há rescaldos no fosso;
a sorte não se deixou cozer,
Dura que nem um osso
Era o tal amor por fazer
© a.