A bem portuguesa tradição de solidariedade assim como a facilidade que demonstramos em criar amigos são indesmentíveis para as pessoas de boa-fé. Imagine-se uma situação - meramente hipotética! - que num país como este, em que as virtudes da honra são levadas em ombros ou penduradas nas varandas como as bandeiras de marketing bancário, jamais poderia ocorrer e seria mesmo vista como nepotismo. Uma jovem senhora, por mera hipótese filha do à época presidente da república da estandartolândia, dedicava o melhor do seu saber e esforço a actividades de voluntariado e apoio a organizações não governamentais de solidariedade para com, por certo, nobres e humanitárias causas; terminado o mandato do progenitor é convidada, dada a experiência profissional anterior no apoio a necessitados, amplamente atestada por currículo condizente, a ocupar o cargo de adjunta de um, por mera hipótese também, ministro, auferindo um modestíssimo salário de cerca de 3000 € mensais (despesas de representação não incluídas). Como é óbvio nada disto se poderia passar em Portugal mas, a passar-se, apenas significaria que - desde que o Estado vendeu grande parte das 'jóias da coroa' que eram as empresas públicas onde os poleiros vagos nunca faltaram nas épocas de pousio de uns e outros - temos grandes amigos a mais e bons empregos a menos. E é que seria só mesmo isso.
(*) Título de uma peça de teatro de Shakespeare.
Publicado por m. em julho 2, 2006 06:40 PM