Não fosse a transmissão televisiva dos casamentos de Stº António a devolver-me a fé na boa-fé da Humanidade, levando d'arraso o pessimismo dos aforismos de Goethe [Quando duas pessoas se sentem realmente felizes uma com a outra, de modo geral, cabe a suposição de que estão equivocadas.] ou de Kierkegaard [Quando duas pessoas se apaixonam e começam a achar que foram feitas uma para a outra, deveriam então romper, pois, seguindo em frente, têm tudo a perder e nada a ganhar.], e ainda acabava a ver o mundo resumido nesta ideia de Emerson: "Não temos grande culpa dos casamentos fracassados. Vivemos no meio de alucinações, e essa armadilha especial é preparada para nos apanhar pelos pés, e nela caímos todos, cedo ou tarde." ("Ilusões", in A Conduta da Vida). O que seria, manifestamente, uma pena. E um enorme desperdício floral e mediático.