(Ou os dias dos dias)
Nada passa, nada expira / O passado é / um rio que dorme / e a memória uma mentira / multiforme. // Dormem do rio as águas / e em meu regaço dormem os dias / dormem / dormem as mágoas / as agonias, / dormem. // Nada passa, nada expira / O passado é / um rio adormecido / parece morto, mal respira / acorda-o e saltará / num alarido.
"Acalanto para Um Rio" (Dora, A Cigarra). In Agualusa, J. E. (2004). O Vendedor de Passados. Lisboa: Dom Quixote. (p. 14)