Lamento desapontá-lo mas apenas o suporto na medida do prazer que acrescente ao meu destrunfe, e porque há dias em que não me apetece servir para paciências. Limite-se a assistir quando for trunfo, mas sempre respeitando o seu lugar atrás dos naipes mais fortes. Não pense que nalgum momento poderá sequer fazer uma pequena sequência comigo, o máximo que lhe concederei será acompanhar-me em silêncio no meu poker deslumbrante. Dias melhores lhe poderão vir se estiver consciente da sua irrelevante posição. Nada pior para um terno de paus pensar que alguma vez poderá cobrir a parada dum competente valete de copas. Dou-lhe pois uns dias de liberdade para poder ir arejar o orgulho fátuo para outro baralho; mas lembre-se do que lhe é próprio: voltar submisso para me segurar o manto nas vazas caprichosas. Sempre terno, e cuidando de nunca fazer a figura das famosas senas tristes.© a.