março 15, 2006

Secos & molhados

Porque nunca se sabe quando lhe fará falta:

rreeçeita pera squinëcia

Tomaräo canela q~ seja mujto boa e noz moscada,
de cada coussa dessas mea omça e de gengi-
vre hüa quarta de omça de allua de cães que
seja muijo allua e sequa hüa oitaua de onça
e quatro ou çinquo crauos girofes, hüa omça
de açucar rrefinado tudo ha de ser mujto moido
e peneirado e mujto mesturado hüu cö ho outro
e ao que tiuer a esquinëçia tomaräo quätos
poos destes posäo tomar com tres dedos
e deitarlhosam no gorgomilo quä abai-
xo puderem e apos elles hüu bocado dagoa
ffria e desta maneira lhos daräo tres
vezes hüa apos outra e deitarlhosham
tres ou quatro dias a ffio se nos primeiros
tres dias nö fficar livre. /

Livro de Cozinha da Infanta D. Maria (Códice Português I. E. 33. da Biblioteca Nacional de Nápoles). Prólogo, Leitura e Notas de Giacinto Manupella, 1987. Lisboa: INCM. (p. 146)

Nota: 'squinëcia' ou 'esquinëçia' é a designação antiga, actualmente obsoleta, da angina tonsilar ou amigdalite. Etimologicamente resulta do cruzamento das palavras gregas que significam 'tosse canina' (por sua vez cruzamento das palavras sufocar, estrangular, com cão) e angina (no sentido corrente de tumefacção inflamatória da garganta), através do latim médico cynanche. Os estudos sobre a disseminação europeia do termo vão no sentido da sua difusão pelo léxico médico e não pela via popular.

Publicado por m. em março 15, 2006 09:05 AM
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