Aqui veremos o país reflectido por quem se fala e porque quem faz realmente a diferença. Falarei na primeira, na segunda e na terceira pessoa, houvesse quarta e também marchava, salvo seja, não sou pois de intrigas narrativas, aqui todos têm lugar à palavra. É como numa sociedade tributária: todos tendemos para sujeito passivo, e todos temos direito a que nos dêem o devido desconto; à colecta. E todos temos também direito ao nosso devido enquadramento. Sou finalmente adept@ do método Multiópticas: devemos poder descontar no déficit a idade do presidente.
Soares – Camões quer reciclar a coisa, o velho afinal vai sair do Restelo, come uns pastéis ainda quentinhos, passa pelas brasas no Planetário, dá umas voltas com os netos no Museu dos Coches e depois rega os gladíolos no jardim de Belém. Afinal tudo está bem quando acaba bem, para cá da Taprobana.
Cavaco – O nosso Clintistuode, descobriu-se agora, é algarvio; o Guadiana é o mistic river, a nação está paraplégica, o cóboi de Boliqueime torna sempre ao saloon do crime e as bailarinas do can-can voltarão a ser escolhidas a dedo. Mas sem tocar. O poder não está na rua, deve ser púdico.
Barbara Guimarães – O meu mundo são os meus livros, os meus filósofos são os do meu marido, os meus lábios podiam ser da Lancôme se ela me pagasse em condições.
Valentim Loureiro – Um dia todos os autarcas serão assim: uma espécie de Inês Pedrosas mas trocando a condição feminina pelas rotundas e pelos semáforos intermitentes.
Alberto João Jardim – Olha Alberto, se te limitarem o mandato faz o mesmo com a pista de aterragem a ver se mais alguém te chateia.
Gatos Fedorentos – O génio português concentrou-se no humor de cariz caricatural dada a sua dificuldade de abstracção e porque uma barrigada de riso enche à mesma e não ficamos com o aspecto dos miúdos do Biafra. Mas no fundo revela que o verdadeiro segredo portuguezinho é sermos sempre génios para poucos e todos eles conhecidos dagente, porque gostamos de sentir a brisa provocada pelo aplauso. Ganha quem descobrir mais estereótipos e frases feitas que durem pelo menos 3 meses.
Luís Filipe Vieira – O sonho americano vivido à portuguesa: começar a encher pneus e acabar a pentear macacos. (saiu um trocadilho um bocadinho forte, mas a vida é isto mesmo – expressão de índole hegeliana com laivos burkeanos)
Alexandra Lencastre – Está magrinha coitadinha e anda a fazer papéis de mazinha, não sei como o país aguenta tamanha desilusão. Não percebo para que serve o Banco Alimentar se despreza assim os que lhe são mais próximos e estão carentes. No fundo também aqui a comida não chega a quem mais precisa.
Marques Mendes – O homem a quem nunca darão complexos se um dia tiver de sair pela porta pequena.
Peseiro – Ser mitológico. Aparece em sonhos aos lagartos a fazer churrasquinhos de fénixes renascidas. No final do sonho o espeto vira-se contra o cozinheiro e vão todos a correr para a pizza hut com o rabinho entre as pernas. Sobremesa da noite: encharcada.
Manuela Moura Guedes – Se eu quisesse também podia ser primeira-dama da Câmara; o meu Zé Eduardo noutro dia chegou a ler dois livros do prof Marcelo e eu até percebo o que diz o Perez Metello; o Miguel Sousa Tavares só me dá entrevistas a mim porque já me consegue ler nos lábios, e diz que eles são o espelho do país; e ele é muito viajado.
Vasco Pulido Valente – Inventou um país à imagem do seu fígado, dá-lhe graça considerar-nos desgraçados e o povo sente-se mais inteligente ao lê-lo. Faz da história o que wittgenstein fez da filosofia: barbies e kens a jogar scrabble em casinhas da lego. Na bilheteira está o capitão gancho; vpv convenceu-nos que o peter pan não existe e que nós vivemos como sininhos esvoaçantes sem eira nem beira. © a.