maio 23, 2004

... como no primeiro dia.

O Azulcobalto cumpre doze meses de "vida pública". Explicou-se no passado uma das origens da escolha do nome embora haja muitas outras, pelo menos uma por cada dia decorrido. Nada na sua génese permitiria supôr tão largo tempo de permanência e, ao longo destes meses, tudo quanto constituiu a vida profissional e pessoal de quem o manteve, desaconselhou a sua continuidade. Hoje, e ainda que meramente numa leitura popperiana, o Azulcobalto tem vida própria para além da das pessoas por trás das palavras ou das imagens aqui deixadas.


Os textos de carácter intimista ou epistolar, produtos essencialmente ficcionais, em pouco ou nada se relacionaram com outra realidade senão a de aqui estarem escritos. As referências às palavras de outros foram parte do mundo de palavras que nos encontraram, mais do que foram procuradas ou encontradas, e se aninharam em nós até à exigência da partilha. As reflexões pessoais, possivelmente acintosas em algumas leituras ou sentimentalistas em outras, foram tão só breves notas pessoais de quem acredita, recordando as lições de Hannah Arendt, que crueldade será sempre o não pensar e sentimento, como tem ensinado António Damásio, o mais profundo da emoção. As imagens, momentos efémeros da vida que se viveu e de alguns dos locais de que foi feito o nosso quotidiano, foram apontamentos de quem acredita que fotografar é tactear, com o olhar, um mundo invisível. Os textos com um registo mais próximo do do diário foram, tão só, fruto de impulsos de quem acredita, contra os ventos da arrogância e as marés do preconceito, ser possível perguntar e reflectir, como as crianças, com o coração por bússola.

Publicado por m. em maio 23, 2004 12:04 AM
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